sábado, 14 de janeiro de 2012

Perante atual angústia

Regredindo imprecisamente e interruptamente. Posso ver os intervalos em que minha pouca inspiração se diz presente novamente, outros em que apenas mente estar. Intervalos em que o tal muro extenso de concreto mostra-se ilusório, pouco amedrontador contra os meus objetivos. Posso vê-los, talvez até vivenciá-los com uma boa porção de sorte; porém, nada mais são que intervalos.
Diferença alguma pode fazer certo alguém, tampouco o ávido desejo de agir, de mergulhar na dor tão profundamente até descobrir o que lhe dá origem e, da mesma forma dar-lhe um fim. Poder fazê-lo sem precisar tomar precauções, sem dar porquê ao racional, sem machucar, sem se afogar. Sem uso de rosto afável, cortês aos que acredito serem merecedores de toda rispidez que implora para ser exposta, que implora para ser usada, que implora para machucar. Que não uso por medo do incorreto.
De toda forma, aquele sorriso de sempre estará no mesmo lugar, aquelas palavras permanecerão a ser usadas da boa e mesma maneira de sempre. Certo alguém continuará aqui, provido de meu amor, provido de minha atenção. Mas certa coisa está faltando, e tal falta está incomodando. Certa coisa continuará lá, provida de minha pouca inspiração, provida de vontade e sensibilidade que agora, causa grande e dolorosa saudade. Espero que um dia possa enfim voltar. Não sozinha por ser coisa, por não ser alguém. Um alguém eu já tenho, e este alguém me faz feliz.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Estória

Idealizo-nos em universos tão pequenos, reservo espaços para falas e olhares ensaiados em meu consciente. Mas o destino consegue ainda nos manter em anonimato. Um para o outro, sempre sem saber o que exatamente deve-se pensar. Os olhares nem sempre dizem tudo, apesar de que um dia eu já houvera proferido o contrário. É como andar sobre o meio-fio de calçadas desconhecidas, como procurar uma resposta de algo que já houvera sido respondido por alguém, sem saber qual a resposta.
Sem cometer um passo já temo o pior, de abrir mão de tudo para alcançar um outro tudo, porém sem conseguir, sem alcançar este objetivo. De qualquer forma, não deixo de temer, não deixo de buscar desculpas pra evitar, pra desviar a minha própria vontade de mim mesmo.
Eu conheço estes olhos, só não sei o que eles me aguardam. Eu sei que algo há por trás, sinto que este escuro um dia já foi claro, sinto esta felicidade adormecida. Mas ela não precisa me dizer, eu quero descobrir sozinho. Farei-o quando puder, quando partir ao meio essa corrente em meus pulsos, que me impede de abraçar, de conhecer, de enfim ser livre.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Maybe you can help me

Parece tão difícil. Tão difícil dirigir essa simplicidade que aos poucos, sempre acaba nos causando a maior de todas as complicações. Nós somos assim, tão felizes e infelizes, sempre insatisfeitos com algo, simplório ou grandioso, é sempre tanto faz. Eu tento escrever, eu ensaio o que escrever, mas nunca sei como continuar; eu tento conversar, eu ensaio o que falar, mas também acabo sem saber como continuar, sem saídas.
Sei que não domino alguns sentidos em certas circunstâncias. Sei que por aquela pessoa, eu enxergaria o verde nos galhos das árvores vazias de outono; eu viveria do pior, se assim pudesse lhe despertar algum sorriso, um esboço de sorriso. Eu queria poder voltar, mas não moveria um objeto do lugar, não mudaria qualquer coisa, mesmo que o futuro que me aguardasse não fosse tão glorioso quanto havia pensado. Eu quero que seja assim, mas não vou mudar, você não vai mudar.
Eu tento escrever, mas as restantes linhas em branco acabam por me dominar; eu tento conversar, mas os seus olhos me carregam ao pranto, por não conseguir lhes abandonar.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Consulta com a lógica.


- Ardem lágrimas rastejando sobre meu rosto, ardem cores invadindo o meu rancor, a minha raiva, o meu repúdio e o meu orgulho. O que significaria tal sensação de perda, mesmo que há instantes nada pudera me afetar, nada fizera-me ver tal realidade que eu ainda insisto em acreditar ser ilusória, acreditar estar apenas me confundindo ? Bastara apenas um olhar em direção ao espelho, tentando encontrar tal expressão de avidez naquele rosto vazio após tal comum ato de rispidez, para dar-me conta da desordem que causei à mim mesmo não só agindo com arrogância durante tanto tempo, mas por também nunca ter agido com certa compaixão. - Desabafou e questionou-o com certo tom de apreensão, também com expressão estranha no rosto, como se já soubesse qual seria a sua resposta.
- Da mesma maneira que apenas sorrir, não lhe faz uma pessoa feliz. Veja bem, não há um Deus lhe castigando ou um demônio lhe manipulando. As suas lágrimas me dizem isso, o seu pânico me mostra isso. - Disse o outro homem observando-o com expectativa, esperando que não entendesse a mensagem.
- Desculpe, não entendi o que quis dizer. - Disse o outro, parecendo cada vez mais preocupado.
- É simples, trata-se de acúmulo, trata-se de limite. Você me diz que nunca sentira-se mal por machucar um outro alguém com atos de arrogância e palavras ríspidas, mas sabe que não é verdade. Deixe-me continuar com meu exemplo: uma pessoa comum pode simplesmente camuflar tal sofrimento apenas sorrindo, mas sabe por si própria que isso não a faz feliz. Essa certeza ao longo do tempo irá somar um certo peso, e em algum momento já não haverá mais como carregá-lo. Em algum momento, não mais haverá como camuflar mais um sorriso, não mais haverá como fingir ser feliz. É como ouvir uma música que não goste até mostrar que não lhe agrada, como receber leves tapas no rosto até começar a lhe doer, entende ? - Terminou, questionando-o, mais uma vez com expressão de expectativa no rosto enquanto observava-o.
- É... - murmurou, como se estivesse pedindo mais explicação.
- Se invertermos tal situação, chegamos à sua. - continuou o outro - Você, como uma pessoa normal, também possui um limite. Já não pode mais fingir satisfazê-lo com ignorância, petulância, agora sabe mais que antes nunca soubera que isso não lhe faz bem. Na verdade, nem um pouco.
- Acho que entendi... - afirmou com cautela o outro homem, ainda parecendo curioso - Mas eu ainda preciso saber: o que fazer para resolver tal dificuldade, para reverter tal situação ? - Perguntou, seguido de um breve silêncio, com os olhos curiosos arregalados em direção ao outro homem.
- É simples, faça o contrário: descarregue o peso. - Disse o outro por final, com um sorriso no rosto.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Blackbird.

 O seu canto ecoava, abafando o farfalhar das árvores daquela noite morta, silenciosa como sempre. O tom de dor, as melodias sombrias, o exalo de consternação óbvia que afirmava ocultar aos de fora, depravavam os distraídos, condenava os que tentavam ajudá-lo, ao deixar claro que toda ajuda que qualquer um pudesse lhe oferecer, seria de uso completamente inútil, que era inútil aos que tentavam, aos que se importavam. Mas os mesmos que depois então desistiam de ajudá-lo, de manter-se por perto para procurar uma evolução visível, somavam-no dor sem perceber, por simplesmente não resistir à ideia de que tal jamais arriscaria procurar a felicidade, que mesmo tanto desejando, afirmava tal sinônimo de fim caso se machucasse mais uma vez.
 Sabia que doeria se tentasse. Porém, poderia doer mais, em uma simples questão de tempo, caso também não tentasse. O seu caminho de escapatória era repleto de lembranças, aquelas que deveriam ser esquecidas caso tivesse que seguir em frente, caso tivesse que voar e fugir de sua dor incompreendida. Os seus olhos fundos impediam-no de enxergar, talvez um galho vazio para o seu pouso, no fim daquela estrada de obstáculos temidos, que já achara impossível de cruzar para chegar ao outro lado então desconhecido, melhor por talvez esconder uma esperança, que tanto aguarda a chance de agarrar, sem precisar sair do seu lugar e enfrentar uma dor que sabe ser tão rigorosa, sem ao menos precisar sentir o seu sabor, ou até mesmo um simples cheiro.
 Suspeitava por uma saída, mas era só. Não acreditava em sua capacidade, para resistir ao que o afligiria no momento de sua fuga, em direção ao seu final feliz, ou ao que acreditava ser ao menos não-tão-doloroso quanto lá o seu presente lhe mostrava. Suas asas quebradas, já não eram mais notadas. Também há muito sem ao menos ser tocadas, talvez para enfrentar a possibilidade de voar novamente, eram possivelmente as peças mais importantes para o sucesso de uma solução. Mas temia, e não ousava enfrentar o que temia.
 Só não enxergava que tratava-se de uma dor inevitável, mesmo que tanto procurasse rejeitá-la, um dia ela iria o alcançar, e tornar-se ainda maior quando enfim percebesse que desde sempre o melhor à ter sido feito, era ao menos arriscar, era ao menos tentar voar.


  "Blackbird singing in the dead of the night,
   take these broken wings and learn to fly
   All your life,
   you were only waiting for this moment to arise."

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Tears.

 Deixou de ser silêncio. O som das lágrimas ao chão ecoavam na ilusão dos meus pensamentos, o realismo fugia das minhas teorias, o otimismo era só o que restava. De manter o positivo mentalmente, acreditando que tudo acabaria bem, ignorando a porta escancarada na entrada e as mentiras rejeitadas, derramadas sobre o tapete de boas vindas. Ignorava o olhar aos cacos de uma taça quebrada de vinho desperdiçado, e ao que toda aquela tensão e desordem simbolizava no ar que respirava, nas palavras que sussurrava à mim mesmo com cautela e dificuldade.
 A verdade havia sido a melhor e pior escolha à ser feita. A dor de perceber o bem aos olhos de fora e o mal aos meus de dentro, aumentando o peso sobre a minha consciência em cada "obrigado" vindo de você, me forçou a revelar o pesadelo escondido nas páginas doídas dos meus atos, além do lindo sonho escrito com audácia em uma capa inocente que há tanto, eu tentava aparentar. Porém o tempo todo, com seu rosto alegre aos meus olhos, comparecendo nos momentos arriscados, tristes e tranquilos. Me questionando após errar, porque havia errado se você estava aqui o tempo todo. Não fazia sentido, nunca fez.
 Horas passavam-se. Não arriscava contar quantas vezes murmurava por seu nome, esperando uma terceira chance, uma terceira chance não-merecida, aquela que poderia poupar de ser desejada, se antes que tarde demais agisse de uma forma mais sensata, menos arriscada. Se ao menos tivesse recordado o significado pesado de uma segunda chance antes já obtida, talvez houvesse sido diferente. Talvez o som da sua voz, do seu riso exagerado, do seu olhar tão barulhento, ocupasse o das minhas lágrimas envergonhadas, arrependidas, o das minhas lágrimas enfim sinceras.

Desculpas não resolvem mais nada. Mas peço desculpas.

sábado, 14 de maio de 2011

Something.

 Uma tarde fria, vazia. Já não mais pensava. Apenas observava, tantas pessoas sem destino, guiadas por seus passos gastos, desorientados, passavam desatentas por seus olhos. Ele então há horas sentado no mesmo banco, daquela mesma praça quase sempre deserta. Um, dois, no máximo três olhares lhe eram o bastante. O primeiro, rejeição. Os estranhos não entendiam-no, ao mostrar tal necessidade de encontrá-la novamente, talvez reconhecer o seu andar, desde então inesquecível, tão marcante em suas poucas lembranças que restaram, que então sobreviveram. O fracasso mais uma vez chamava o seu nome, de um lugar distante, distante daquela praça, daquele banco, daquelas pessoas, ao encontrar mais uma vez a diferença, ao perceber que as semelhanças fugiam de sua realidade, sua realidade então repleta de ilusão, de mentiras, de retratos falsos. Após então era a frieza aos seus poucos atos variados, quando levantava-se, era apenas para garantir mais uma rosa em suas mãos, mais pétalas inocentes ao chão, mais lágrimas a serem contidas, mais uma tentativa de dor a ser amenizada.
 Queria poder pedir o seu perdão. Queria ao menos avistá-la outra vez. Procurava o que esquecer, para que então não pudesse esquecê-la. Já fazia tanto tempo, mas devido aos seus métodos, nem disso conseguia lembrar-se. O que era a sua sorte naquele há tanto único momento? Perguntava-se, onde estava o seu bom Deus durante todo este tempo? Não sabia ao certo o quanto foi, mas tinha a certeza de que não havia sido pouco. Muito tempo, desde então ali, no mesmo lugar. O mesmo desejo, a mesma tristeza. Disso ele tinha certeza.
 Estava tudo tão desordenado. Mesmo ao não agir de outra maneira durante tanto tempo, ao não perceber a diferença sem perder o foco do que desde então fazia. Os segundos caminhavam devagar, os minutos corriam apressados, as poucas horas voavam, deixando os mesmos fatos para trás. Pedir perdão? Para quem? Já não sabia o que fazia lá, o que o fazia acreditar que algo poderia mudar. O mesmo desejo mandava-o ficar, esperar, por algo que então já tinha certeza que não iria um dia o alcançar. Mas então ficou, recusando-se a chorar, apagando mais lembranças, para que a mesma desde então permanecesse lá. Beijos, tampoucos existiam. Abraços, havia esforço para lembrar. Palavras, não sabia de que letras tais eram compostas. Sua voz, era apenas o esboço de uma nota mal interpretada, só podendo ser lembrada por lembrar de tal tão destacada, de uma música que nunca por ele faltaria ser recordada.
      "Something in the way she moves, Attracts me like no other lover..."

 Levantou-se. Temeu em passar à sua frente, mas continuou, após o primeiro trêmulo passo. Fechou os seus olhos, não parou. Esbarrava nas pessoas que cruzavam o seu escuro e perigoso caminho, não parou. Aquele banco então já mostrava-se distante às suas costas. Aquele banco daquela praça quase sempre deserta. Daquela que ficava em frente às pessoas nas calçadas, tão próxima aos carros que passavam continuamente.
Não parou, até que enfim tudo acabou.